Super é um filme que se vende como uma despretensiosa parodia a Super Heróis, mas se mostra muito mais profundo que isso. Não imagine estar diante de um filme idiota que se sustente somente pelo humor em cima de personagens conhecidos pelo público. É justamente o contrário, pois nesse, as referências ficam apenas como um auxiliar de segundo plano. Não há aquelas semelhanças descaradas e sem originalidade.
Apresenta metáforas inteligentes e ousadas. Porém muitas delas não ficam bem compreensíveis, deixando lacunas. O humor, presente em todo o filme, é sarcástico e irônico, mostrando uma visão interessante em situações bizarras. Tudo pode parecer uma grande idiotice, mas não é. Na primeira metade do filme, realmente é o que parece, mas o ritmo vai se tornando mais ativo e as intenções mais visíveis. Obviamente que nem todas as cenas cômicas são carregadas de morais implícitas, mas muitas delas estão ali para ironizar e metaforizar coisas do cotidiano, assim como do universo de Super Heróis. É utilizando essa fórmula que Super se destaca.
O diretor James Gunn, responsável por ‘Seres Rastejantes’ e pelo roteiro de ‘Madrugada dos Mortos’, de Zacy Snyder, não hesita em utilizar da mais intensa violência politicamente incorreta. É ousado sem medo. Brinca com clichês de forma interessante.
Ellen Page tem um desempenho excelente. É pra mim o grande destaque do filme. Sua personalidade insana, incontrolável, assume fetiches de forma caricata e natural. Rainn Wilson tem a performance ideal, sem excessos (a não ser quando os mesmo são intenções do filme).
Com uma boa e variada trilha sonora, Super é um exemplo de como um filme Trash pode ser bom. Suas falhas são relevantes, e toda a sua bizarrice diverte e faz pensar. Talvez você curta, ou então odeie.



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