Batman - O Cavaleiro das Trevas

O épico de Christopher Nolan com a atuação surreal de Heath Ledger.

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Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador

O drama que deu a Leonardo DiCaprio a sua primeira indicação ao Oscar, pela atuação espetacular de um autista.

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Jogos Vorazes

O novo fenômeno mundial que surpreende pelo ótimo roteiro e direção.

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Não me Abandone Jamais

Não Me Abandone Jamais é um filme de ritmo lento com um drama que deixa o espectador sem reação, ávido com a trama. Traz citações poéticas e uma simplicidade narrativa que encanta.

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A Espera de Um Milagre

Uma verdadeira obra prima de Frank Darabont que marcou o final dos anos 90.

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#029 - Notas Sobre um Escândalo

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   Notas Sobre um Escândalo é um espetacular drama dirigido por Richard Eyre, com os grandes nomes Clatt Blanchett, Judi Dench e Bill Nighy. A história se passa em uma escola pública de Londres. Barbara (Judi Dench) é uma solitária e durona professora que tem sua vida mudada quando a escola contrata Sheba Hart (Cate Blanchett). Elas se tornam grandes amigas, mas ao descobrir que Sheba tem um relacionamento com Steven Connolly (Andrew Simpson), um dos alunos, Barbara encontra nisso a oportunidade de conseguir o que deseja, em uma disfarçada chantagem à Sheba.
  Em poucos minutos de projeção, o filme já consegue prender intensamente o espectador com as narrações de Barbara, criando o suspense em cima desta personagem. Não há delongas em entregar as ações de Sheba, que deixarão o clima ainda mais tenso e nos acorrentará de vez à trama. O mistério sobre a excêntrica Barbara só se faz aumentar e é dosado a exatas medidas, com um ótimo jogo de exploração da personagem. Somos levados a qualificá-la em inúmeras personalidades, e imaginarmos as mais diversas intenções por trás da mesma.
 Com uma impecável trilha sonora, que se casa perfeitamente à trama, o filme soube pontuar os acontecimentos, sem enrolações, e ao mesmo sem pressa. Mesmo quando descobrimos, ou imaginamos ter descoberto, as intenções de Barbara, isso não afeta o seu desenvolvimento, pois o filme é trabalhado em cima de indiretas e subjetividades. Assim como nas primeiras cenas, ficamos nos perguntando até aonde aquilo irá.
  O clímax do filme é excelente. As emoções transbordam da tela, com a ajuda das grandes atuações. Verdades são jogadas contra os personagens sem medo, de uma forma intensa, mas controlada. Os diálogos e narrações do filme não deixam a desejar, são justamente um de seus maiores destaque. Foram muito bem pensados e aplicados sem tentativas de falso moralismo. E isso contribuiu muito para defender seus argumentos.
  Ainda que sua duração seja de apenas 1h e 30minutos, o seu ritmo é tão natural que ao final você não sente falta de mais cenas, apesar de que seria muito bom apreciar mais minutos desse fantástico drama.

#028 - Não Estou Lá

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  Bob Dylan é um dos maiores cantores e compositores de todos os tempos. Um artista constantemente mutável que encarou durante sua carreira diferentes faces de sua personalidade e assumiu diversas posições ideológicas. É se baseando nesse contexto, em fatos e lendas, que Todd Haynes nos apresenta o excelente filme ‘Não Estou Lá’. Não se trata de uma biografia do cantor, pelo menos não na forma tradicional.
  O elenco, composto por grandes nomes como Christian Bale, Heath Ledger, Cate Blanchett, Richard Gere, Julianne Moore e Ben Whishaw, faz bonito, e não decepciona em nenhum momento. O grande destaque fica com a interpretação envolvente de Cate Blanchett, no papel de Jude Quinn, lhe rendendo o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza de 2007 e uma indicação ao Oscar.
  Haynes nos apresenta seis diferentes ‘Bob Dylans’ em momentos históricos diversos, cada um com suas peculiaridades, representando as divergentes fases do artista. Não há preocupação com um seguimento cronológico das mesmas. Os personagens surgem a todo o momento e vão sendo alternados, dando um ritmo agradável ao filme. É justamente essa alternância de pensamentos que o torna tão envolvente. Cada história se destaca a sua maneira, e todas conseguem ser atraentes.
  Personagens tão diferentes chegam a nos fazer pensar que não estamos vendo representações de uma mesma pessoa. Um artista ilimitado, que não se prende a uma ideologia, porém sabe defender o seu pensar em cada uma de suas vertentes. A ligação criada entre os papéis de Marcus Carl Franklin e Richard Gere, representando respectivamente o início de sua carreira e a fase em que ficou afastado da mídia é genial. O encontro de Richard com elementos deixados por Marcus Carl faz alusão ao seu ressurgimento.
 Intensamente poético, ‘Não Estou Lá’ nos faz pensar e consegue uma conexão com seu espectador utilizando de diversos elementos cinematográficos, como o preto e branco, a exploração das cores, o diálogo, o uso indiscriminado da trilha sonora (perfeitamente trabalhada), entre outros, acrescentando identidade a cada história. A fotografia é um espetáculo a parte, foge do convencional e mostra que houve realmente um trabalho bem pensado e aplicado dos profissionais. Difícil não se deixar levar por esse filme.
  Vale ressaltar que não é preciso ser fã ou já ter algum contato prévio com o artista para assisti-lo. A sua contemplação atinge a todos e as escolhas da direção de Todd Haynes fazem valer cada segundo dessa excelente produção.


#027 - Watchmen - O Filme

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  Dirigido pelo visionário diretor de "300," Zack Snyder, Watchmen é uma adaptação da revolucionária Graphic Novel homônima dos anos 80, escrita por Alan Moore e Dave Gibbons. Vale ressaltar que eu nunca li ou tive contato com as mesmas, portanto a minha visão do filme é baseada somente na questão cinematográfica. Em termos de adaptação, não sei dizer se foi ou não um trabalho bem realizado. Mas eu sempre acreditei que um filme baseado em HQs não deva ser uma versão fílmica do mesmo. São plataformas diferentes que trabalham, portanto, em meios diferentes, logo eu sempre busco separá-los.
   A trama se passa em uma América dos anos 80, onde os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã com a ajuda dos Vigilantes. Na época, esses homens e mulheres mascarados que combatiam o crime, participavam da rotina americana. Agora, diante da tensão com a União Soviética, em meio a possibilidade de estourar uma guerra nuclear, os Vigilantes começam a ser misteriosamente eliminados, obrigando os outros a se unirem novamente.
  Talvez o único problema de Watchmen seja o modelo narrativo utilizado por Snyder, que chega a confundir o espectador e atrapalha seu ritmo e desenvolvimento. A trama principal divide espaços com as cenas em que são apresentadas as histórias de cada um dos vigilantes, de forma aleatória. Tais origens são fundamentais para o esclarecimento do perfil dos personagens e são mostradas com clareza e perfeição, sem delongas. Porém a misturas dessas com a linha central nos tira dos trilhos e torna o foco de tensão instável, perdendo um pouco a sua força.
   Essa fraqueza, que com a proximidade do final vai se tornando relevante, é equilibrada com os excelentes diálogos do roteiro, constantes e sempre carregados de valores e mensagens. Quando ausentes, são substituídos por uma trilha sonora impecável, aonde a letras das músicas traduzem com perfeição o que se pretende passar. Os créditos iniciais ao som de “The Times They Are A-Changin” de Bob Dylan, é um espetáculo aparte. Cada trecho da música se sai como um perfeito prefácio, que entrega com maestria a premissa da trama a que iremos assistir. Fora o trabalho de edição que é incrível, não só nesse trecho como em todo o filme.
   A fotografia escurecida e os cenários ‘sujos’ contribuem para transmitir os valores de humanidade que os Vigilantes têm. Tais valores são ‘hostis’ e mostram que eles não possuem essa visão pura dos seres humanos. E é ai que o filme mais me ganhou. Repleto de ótimas críticas, que não se escondem em falsos moralismos, mostra um lado em que o vilão da condição atual da humanidade é ela própria. Os dramas pessoais dos Vigilantes são exemplos perfeitos de suas ideologias. Os diálogos, juntos com as memória vão reafirmando ainda esse lado.
  Se comparado com suas outras produções, como 300 e Sucker Punch, Zack Snyder realizou um trabalho visual mais contido, mas nem por isso menos impactante. Seu estilo autoral, já característico, se mostra presente e sabe se impor, manejado à medida. As falhas narrativas de Watchmen não o tornam menos espetacular. É um filme merecidamente longo e com valores morais marcantes.


#026 - A Inquilina

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   A Inquilina é um Thriller/Suspense protagonizado por Hilary Swank e Jeffrey Morgan. Na trama, Hilary vive o papel da médica Juliet abalada pela separação com o marido. Buscando um apartamento em Nova Iorque, aonde pretende morar sozinha, encontra um espaçoso e estranhamente barato, não hesitando em fechar o negócio imediatamente.
   Sem enrolações, o filme logo já mostra a que se propõe, apresentando os primeiros sinais de suspense desde o início, muito bem trabalhados. Ao mesmo tempo em não enrola em apresentações de personagens, peca no longo trecho de reprise dos acontecimentos, de uma forma a esclarecer-nos a trama de Max (dono do edifício) para com Juliet. A extensão dessa reprise, ainda que seja uma boa jogada, é cansativamente longa e muito detalhada, já que repete praticamente cada fala que foi pronunciada minutos antes.
  Após essa falha, que não compromete o andamento, somente o atrasa, o filme ganha mais ritmo e o suspense aumenta. O lado positivo de A Inquilina é não forçar esse suspense, deixando o natural e sem excessos. Consequentemente vai nos atraindo e nos levando.
   Apesar de ter uma ótima premissa, o filme não apresenta nada de inovador, somente reutilza os famosos clichês do gênero. Contudo, até quase o final, seu uso é relevante e parece que não irá comprometer o desfecho. Sim, é um filme previsível, mas as poucas informações dadas sobre o personagem Max nos faz acreditar que haverá uma grande história por trás dos seus atos.
   Engano. Max era apenas mais um psicopata possessivo e ciumento que não possui um fundamento valido para os seus atos. A atuação convincente de Jeffrey Morgan perde a força quando não vemos um por que da sua personalidade. A ação final é bem interessante, mas assim como o resto do filme, é superficial. A mobilidade de Max, mesmo após ser atingido por facadas e outras agressões, soa irreal, da mesma forma que ele consegue arrombar uma porta de ferro, mas não consegue fazer o mesmo com a de madeira, do banheiro.
   Os posicionamentos de câmera do diretor estreante Antti Jokinen são bem proveitosos e dinâmicos. Em alguma produção de maior porte poderia resultar em algo bem interessante. A Inquilina é um filme previsível, mas eu não diria desnecessário. Somente mal aproveitado.

#025 - Super

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  Super é um filme que se vende como uma despretensiosa parodia a Super Heróis, mas se mostra muito mais profundo que isso. Não imagine estar diante de um filme idiota que se sustente somente pelo humor em cima de personagens conhecidos pelo público. É justamente o contrário, pois nesse, as referências ficam apenas como um auxiliar de segundo plano. Não há aquelas semelhanças descaradas e sem originalidade.
  Apresenta metáforas inteligentes e ousadas. Porém muitas delas não ficam bem compreensíveis, deixando lacunas. O humor, presente em todo o filme, é sarcástico e irônico, mostrando uma visão interessante em situações bizarras. Tudo pode parecer uma grande idiotice, mas não é. Na primeira metade do filme, realmente é o que parece, mas o ritmo vai se tornando mais ativo e as intenções mais visíveis. Obviamente que nem todas as cenas cômicas são carregadas de morais implícitas, mas muitas delas estão ali para ironizar e metaforizar coisas do cotidiano, assim como do universo de Super Heróis. É utilizando essa fórmula que Super se destaca.
  O diretor James Gunn, responsável por ‘Seres Rastejantes’ e pelo roteiro de ‘Madrugada dos Mortos’, de Zacy Snyder, não hesita em utilizar da mais intensa violência politicamente incorreta. É ousado sem medo. Brinca com clichês de forma interessante.
  Ellen Page tem um desempenho excelente. É pra mim o grande destaque do filme. Sua personalidade insana, incontrolável, assume fetiches de forma caricata e natural. Rainn Wilson tem a performance ideal, sem excessos (a não ser quando os mesmo são intenções do filme).
   Com uma boa e variada trilha sonora, Super é um exemplo de como um filme Trash pode ser bom. Suas falhas são relevantes, e toda a sua bizarrice diverte e faz pensar. Talvez você curta, ou então odeie. 

#024 - O Preço do Amanhã

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  Imagine viver em um mundo aonde o tempo é dinheiro, literalmente. Em uma sociedade aonde os habitantes ao chegarem aos 25 anos, deixam de envelhecer. Contudo, seu relógio biológico (representado por um contador no braço) passa a ter somente mais um ano de vida. A partir daí você deve encontrar formas de aumentar o seu tempo restante. Os ricos então têm a chance de levar a tão sonhada vida eterna, enquanto os pobres sonham com dias e semanas a mais.
  A premissa de O Preço do Amanhã é fantástica, genial e original. Um mundo aonde o mais importante é o seu tempo de vida. O universo criado por Andrew Niccol é, assim como o nosso, capitalista. Mas no lugar do dinheiro, compra e troca-se tudo através do tempo. Existem os magnatas, as máfias e toda a já conhecida desigualdade social (no caso, temporal).
  O diretor Andrew Niccol, reconhecido por suas aclamadas e bem recebidas produções anteriores (O Senhor das Armas, Gattaca) tinha em mãos um roteiro, criado por ele mesmo, extraordinário, que poderia resultar em uma obra-prima. Contudo há muitos deslizes na forma como essa ficção científica foi explorada, de forma muito superficial. Aliado a ação, no qual ele se sai melhor, faltam-lhe mais objetivos concretos, maiores, já que estamos diante de um universo amplamente fértil de exploração.
 Justin Timberlake (Will Salas) e Amanda Seyfried (Sylvia) apresentaram uma ótima química. A caracterização da personagem Sylvia é sedutora e envolvente. O incrível ator Cillian Murphy, no papel do ‘controlador do tempo’, não podendo ser diferente, esta impecável. Alex Pettyfer surpreende no seu papel de ladrão, diferente dos seus tradicionais personagens populares e dependentes da beleza.
   É triste ver uma história tão brilhante e fértil ser mal utilizada, mas ainda sim O Preço do Amanhã é um grande filme.



#023 - O Último Vôo

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   Baseando-se em uma bela história real, o diretor francês Karim Dridi apresenta em O Ultimo Vôo um filme intimista e profundo. Com o característico ritmo cinematográfico francês mais lento, conduz sutilmente o andamento da trama. Utilizando de poucos diálogos, consegue transmitir os sentimentos com imagens e a grande interpretação dos atores, auxiliado pelo incrível cenário desértico do Saara, que mesmo carregado de beleza, é hostil, desafiador e angustiante. Tais diversidades conseguem nos emaranhar na história e compartilharmos da angustia da personagem.
  A trama se passa em 1933. Bill é um famoso piloto inglês. Buscando bater o recorde na travessia entre Londres e o Cabo, sofre um acidente e desaparece em meio ao deserto do Saara. Sua espora Marie (Marion Cotillard), uma aviadora aventureira, na tentativa desesperada de encontrá-lo, busca ajuda em um posto de legionários franceses. O capitão Vicent (Guillaume Marquet) a acolhe, mas por medo de sofrer algum ataque dos tuaregs, se recusa a ajudá-la. Quando o seu avião é atingido por uma tempestade de areia, Marie segue os legionários em um expedição ao território Tuareg. Por fim, ela e o tenente Antoine (Guillaume Canet) seguem sozinhos a busca, em uma incrível missão de sobrevivência.
   A belissima e emocionante trilha sonora é uma harmonia entre instrumentos orientais que trazem um som forte de raiz, do Trio Joubran. É realmente marcante, e nos faz querer buscar mais dela após o filme. Em entrevista,  Karim afirmou: “Decidi não procurar um compositor especializado no trabalho para imagens, de não recorrer a uma grande orquestra, de não utilizar a música ocidental pintada de orientalismo (…). Eu queria que essa música fosse um motor dramático e estético do meu filme”. Essa escolha da direção acertou em cheio e o resultado é extraordinário. É perfeitamente contemplativa ao que é apresentado na tela. 
  Marion Cotillard teve toda a sua beleza estonteante somado a do deserto e da música, numa incrível atuação, contida e sem uma dramaticidade forçada. Isso contribuiu para agregar ainda mais o valor de sutileza do filme.

#022 - Cópia Fiel

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  Com um excelente e profissional uso de diálogos, intensos, inteligentes e constantes, Abbas Kiarostami mostra genialidade na direção de Cópia Fiel. De uma forma não convencional, subjetiva e aberta a interpretações, há diversas metáforas através da arte, das atitudes humanas e principalmente da forma de se encarar as coisas. Constantemente conflitando ideais, vai mostrando diversos ângulos de visão, permitindo ao espectador entrar na discussão e ter suas opiniões valorizadas, assim como os coadjuvantes interagem com os protagonistas.
  Elle (na atuação vencedora em Cannes, de Juliette Binoche) é uma galerista francesa. James Miller (William Shimel) é um escritor inglês que está em Toscana, Itália, para lançar seu livro em que discute os valores das cópias de obras de arte. Os dois passam o domingo juntos próximos a Florença, aonde Elle pretende lhe mostrar uma “cópia original” de uma pintura renascentista. Quando a dona de uma restaurante faz um comentário pensando que eles formam um casal, Elle não desmente e acrescenta estar nesse casamento há quinze anos, em um momento de crise devido a um marido ausente. A partir do momento em que James passa a encarar esse ‘personagem’ cria-se um jogo de difícil distinção entre realidade e encenação. 
   A intensidade com que os sentimentos vão sendo aflorados e expostos é de uma veracidade que confunde ainda mais o espectador, como o uso de referência a momentos ‘já vividos’ pelo casal. O interessante e conflitante dialogo entre os dois cria uma maleabilidade que nos carrega junto, e é impossível não se deixar levar. Não há um direcionamento unilateral, e ao final do filme, cabe a você decidir em que lado da história acredita ou prefere acreditar.
  Copia Fiel utiliza de planos longos e dispensa o uso da trilha sonora. A minha ligação e paixão com o lado musical no cinema sempre teve resistência a filme que não a exploram. Porém filmes como esse e ‘O Garoto da Bicicleta’ se saem extremamente bem nesse modelo, e por mais que uma boa trilha tenha o poder de aumentar consideravelmente as emoções de determinadas cenas, sem o uso da mesma pode-se chegar ao mesmo resultado, tornando a contemplação mais crua e real. 



#021 - Vidas Que Se Cruzam

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   Vidas Que Se Cruzam é o filme de estréia de Guillermo Arriaga na direção, já consagrado como roteirista de grandes longas como ‘21 gramas’ e ‘Babel’. O artista também está na direção de ‘Rio,  Eu te Amo’, ao lado de grandes cineastas como Meirelles, Padilha e Saldanha. A História, num bem executado trabalho de montagem, se passa no presente e no passado, sem uma sequência cronológica. Mariana (Jennifer Lawrence), uma jovem menina que mora numa pequena cidade na fronteira com o México, é filha de Gina (Kim Basinger) e descobre que sua mãe tem um amante, Nick, também casado. Sylvia (Charlize Theron) é dona de um refinado restaurante e busca esquecer seu passado. Maria é uma menina que precisa ajudar seus pais a se unirem novamente e reencontrar o amor que um dia já tiveram.
   O filme entrelaça diferentes momentos temporais dando um ritmo bem encaminhado a trama, que só se sai melhor na segunda metade. As belezas naturais dos cenários da fronteira mexicana são muito bem exploradas num excelente trabalho de fotografia. Se a intenção inicial de Arriaga era apresentar o enredo de forma não previsível, esse objetivo não foi bem alcançado, pois em pouco tempo já criamos a ligação entre os personagens, ainda que Charlize Theron não pareça com uma Jennifer Lawrence crescida. Contudo isso não afeta em nada a trama, pelo contrário, nos permite ver com mais profundidade o drama vivido pelos mesmos. E que drama, perfeitamente retratado pelas atrizes. Destaque para Kim Basinger na cena em que conta ter tido um câncer de mama. Vidas Que se Cruzam é um filme lento, que muitos acharão cansativo e arrastado, mas de um belo retrato de sentimentos.

    Notas sobre Jennifer Lawrence:
   Com uma recente filmografia, Jennifer Lawrence já emplacou no seu ano de estréia em longas (2008), três filmes, sendo este o terceiro de sua carreira. A atriz até então era conhecida por Séries de TV. A partir daí ganhou reconhecimento, e seu próximo trabalho foi em Inverno da Alma, o mais consagrado de sua carreira, rendendo-lhe inúmeras indicações, inclusive ao Oscar. Outro papel de destaque foi em X-Men Primeira Classe, aonde teve um ótimo desempenho como Mística. Jennifer Lawrence mostrou ser uma grande atriz e não se prendeu a personagens comuns e estereotipados. Sua participação já é garantida em três longas de 2012, e seu futuro em Hollywood é promissor. 


#020 - A Espera de Um Milagre

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   Sabe aquele filme que você assiste na infância que te marca, mas depois nunca mais o vê? Passam-se anos e você ainda tem lembrança de cenas inesquecíveis. É a minha relação com A Espera de Um Milagre. Nunca me esqueci das cenas protagonizadas por Michael Clarke Duncan, no papel do prisioneiro John Coffey, das cenas na cadeira elétrica e também, claro, do rato Mr. Jingle. Eu diria que esse foi um dos filmes mais marcantes da minha infância, mais do que Rei Leão e outros que encabeçam a lista da maioria. Cerca de nove anos depois, com a minha proximidade a área de cinema busquei revê-lo e a experiência foi quase como inédita. Nostalgia somada a toda a emocionante e comovente história.
   A Espera de Um Milagre foi baseado na história de Stephen King, um dos mais notáveis e reconhecidos escritores de horror e ficção de seu tempo. O diretor Frank Darabont se baseou no autor em três de seus cinco filmes (O Nevoeiro e Um Sonho de Liberdade). A história se passa numa prisão de condenados a morte por eletrocução. O corredor da morte (chamado de Green Mile, nome original do filme), chefiado por Paul (Tom Hanks), recebe John Coffey, um prisioneiro condenado por matar duas jovens. Paul e os outros guardas descobrem que ele não é apenas mais um homem comum.
   O filme se inicia no presente, mas a história contada por Paul, já idoso, são lembranças do seu tempo como chefe do setor, especificamente no ano que mais lhe marcou, a chegada de John Coffey. Extremamente emotiva, a história envolve e prende o espectador desde as primeiras cenas. Apesar de dramática, há um agradável humor inteligente, ajudando a equilibrar as emoções do filme. As excelentes atuações de todo o elenco o tornam real e dão um ritmo muito bem pontuado. Há também uma diversidade de diferentes personagens, o que mostra uma maior complexidade da trama.
   Com uma trilha sonora que acompanha perfeitamente a trama, e uma marcante fotografia alaranjada, A Espera de Um Milagre é o tipo de filme que todos deveriam ver, trazendo uma mensagem que merece e deve ser propagada. 


 

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