A
horrível tradução que o nome deste filme recebeu no Brasil, já cria de antemão
uma noção totalmente diferente da qual ele se propõe. Espera-se um suspense
hollywoodiano com todos os elementos atrativos do gênero, quando na verdade é o
extremo oposto. O nome original é Keane, referente ao protagonista, o que mesmo
não entregando nada sobre a trama, é o nome ideal, uma vez que o foco esta no
drama deste personagem.
William
é um homem que tem a sua vida virada de cabeça para baixo após ter perdido sua
filha em um terminal, por um breve momento de descuido. Com um enorme sentimento
de culpa o atormentando, sua busca diária se torna mais frenética e gera
sintomas de uma conturbada esquizofrenia.
O
lado humanista é bem realizado e com ajuda da atuação visceral do ator Damian
Lewis, corporal e vocal, o drama multiplica-se. Ao acrescentar personagens que
vem a complementar a trama, como a menina Kira (Abigail Breslin, a estrela de ‘Pequena
Miss Sunshine) o foco deixa de ficar muito preso e limitado ao protagonista.
O
problema deste filme está em sua narrativa lenta e cansativa,
desnecessariamente longa e arrastada. A câmera tremida e sem enquadramentos
mais firmes geram um resultado eficiente na primeira parte, ao criar um
analogismo com o psicológico do protagonista, transparecendo tensão, medo,
insegurança e aflição. Contudo, esta escolha não demora a se tornar
extremamente excessiva, e cansa o espectador. Chega a nos afastando da trama,
ao mesmo tempo em que a história busca atrair.
Relevando
este incomodo detalhe, que narrativamente é eficaz, Keane é um excelente filme
com uma abordagem sincera e convincente a respeito da desconstrução psicológica
gerada pelo sumiço de uma filha, somado ao sentimento de culpa e problemas
pessoais já ressonantes, que se tornam ainda mais conturbadores.




























