Batman - O Cavaleiro das Trevas

O épico de Christopher Nolan com a atuação surreal de Heath Ledger.

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Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador

O drama que deu a Leonardo DiCaprio a sua primeira indicação ao Oscar, pela atuação espetacular de um autista.

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Jogos Vorazes

O novo fenômeno mundial que surpreende pelo ótimo roteiro e direção.

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Não me Abandone Jamais

Não Me Abandone Jamais é um filme de ritmo lento com um drama que deixa o espectador sem reação, ávido com a trama. Traz citações poéticas e uma simplicidade narrativa que encanta.

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A Espera de Um Milagre

Uma verdadeira obra prima de Frank Darabont que marcou o final dos anos 90.

A Espera de Um Milagre A Espera de Um Milagre

#064 - Esquizofrenia - Entre o Real e o Imaginário

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  A horrível tradução que o nome deste filme recebeu no Brasil, já cria de antemão uma noção totalmente diferente da qual ele se propõe. Espera-se um suspense hollywoodiano com todos os elementos atrativos do gênero, quando na verdade é o extremo oposto. O nome original é Keane, referente ao protagonista, o que mesmo não entregando nada sobre a trama, é o nome ideal, uma vez que o foco esta no drama deste personagem.
  William é um homem que tem a sua vida virada de cabeça para baixo após ter perdido sua filha em um terminal, por um breve momento de descuido. Com um enorme sentimento de culpa o atormentando, sua busca diária se torna mais frenética e gera sintomas de uma conturbada esquizofrenia.
  O lado humanista é bem realizado e com ajuda da atuação visceral do ator Damian Lewis, corporal e vocal, o drama multiplica-se. Ao acrescentar personagens que vem a complementar a trama, como a menina Kira (Abigail Breslin, a estrela de ‘Pequena Miss Sunshine) o foco deixa de ficar muito preso e limitado ao protagonista.
  O problema deste filme está em sua narrativa lenta e cansativa, desnecessariamente longa e arrastada. A câmera tremida e sem enquadramentos mais firmes geram um resultado eficiente na primeira parte, ao criar um analogismo com o psicológico do protagonista, transparecendo tensão, medo, insegurança e aflição. Contudo, esta escolha não demora a se tornar extremamente excessiva, e cansa o espectador. Chega a nos afastando da trama, ao mesmo tempo em que a história busca atrair.
  Relevando este incomodo detalhe, que narrativamente é eficaz, Keane é um excelente filme com uma abordagem sincera e convincente a respeito da desconstrução psicológica gerada pelo sumiço de uma filha, somado ao sentimento de culpa e problemas pessoais já ressonantes, que se tornam ainda mais conturbadores.


#063 - 2 Coelhos

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  Indo contra todas as produções nacionais a que estamos habituados, 2 Coelhos é um excelente caso a parte, mostrando àqueles que ainda tem uma certa resistência aos filmes brasileiros, que nem tudo se resume aos temas abordados pelos que alcançam o grande circuito comercial. Infelizmente, por falta de um bom investimento em divulgação e propaganda, este não atraiu muitos espectadores. Alguns por pré-conceito e outros por acharem que é uma tentativa de se fazer um blockbuster hollywoodiano. Em contra partida, a recepção crítica do filme foi muito boa.
  Se formos entrar na questão de ‘2 Coelhos’ se assemelhar muito com as técnicas comunmente utilizadas em Hollywood, teríamos uma complexa discussão multilateral, pois é algo que envolve diversos fatores. Contudo, não cabe dizer que o filme não tenha uma identidade nacional somente pelos artifícios que usa, uma vez que as técnicas cinematográficas são universais, o que permite qualquer produção mundial usá-las. 
  Afonso Poyart, a cargo do roteiro e direção, faz sua estreia em um longa, o que nos impossibilita de traçarmos um panorama mais concreto a respeito de suas escolhas, se faz parte de um estilo autoral ou apenas um filme recheado de maneirismos. Ao utilizar de todas as ferramentas possíveis para causar euforia no espectador, Poyart chega a um resultado eficiente. Lembramos claramente de Guy Ritchie (Sherlock Holmes 1 e 2), com produções muito semelhantes.
 O roteiro de ‘2 Coelhos’ é excelente, e em algumas partes, genial. Sempre surpreendendo, utiliza de uma narrativa não linear, e uma interação verbal com o espectador. O trabalho de edição e efeitos especiais é ótimo, traz filtros de cor constantemente alternados, uso de câmera lenta, explosões, tudo o que da mais força a ação. A montagem é o grande destaque, essencial para se reafirmar essa não linearidade.
  Logo na primeira cena, o filme já me ganhou com uma ótima edição ao som inconfundível de ‘Kings and Queens’. A trilha sonora de toda sua duração também é excelente. Não deixe de assistir a essa singular produção nacional. Aguardo ansiosamente os próximos trabalhos de Afonso Poyart.


#062 - Benny & Joon - Corações em Conflito

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  Benny & Joon é um filme sem grandes pretensões, mas que atrai e encanta o espectador pela sutileza da história. Uma grande homenagem aos mestres do humor que marcaram o período da comédia silenciosa hollywoodiana, Charlie Chaplin e Buster Keaton. Envolto numa trama fraca para conduzir suas inúmeras referências, o resultado é bem satisfatório, mas nada excepcional. O excelente ator Johnny Depp busca traçar tais semelhanças sem exageros na interpretação, o que é um ponto alto do filme, que encontrou na simplicidade a melhor forma de conquistar o espectador e transmitir sua mensagem. Por fim, chega a parecer que a trama, carregada de romance, é apenas um pano de fundo condutor.
  Todo o elenco tem um ótimo desempenho, mas naturalmente que Johnny Depp rouba a atenção em todas as cenas nas quais aparece. O nome Buster Keaton é utilizado inúmeras vezes para fazer referência ao seu personagem, Sam, de uma forma a incentiva-lo a seguir a vida de artista, diante de seu grande talento. Encontramos em suas ações um equilíbrio performático que soube unir o melhor de Buster e Chaplin, mas por este último ser mais conhecido do público em geral, somos levados a achar que há certa imparcialidade tendenciosa a ele.
  Uma inegável qualidade de ‘Benny & Joon’ é sua excelente trilha sonora, que logo na primeira cena já se faz presente criando uma envolvente atmosfera, ponta pé inicial fundamental. Uma ótima escolha não só das músicas, como também de seus respectivos interpretes. O filme é um ótimo entretenimento, mas deixa a desejar, apesar de ter uma boa intenção como base. O desfecho da trama, depois de tudo que levou a ele, é comovente. Uma visão muito boa sobre a relação entre irmãos (afinal o nome se refere aos irmãos, e não ao casal) e os romances incomuns.

#061 - Maria Antonieta

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   Maria Antonieta é um excelente retrato inconvencional dirigido por Sofia Coppola, sobre essa conhecida personagem da história mundial. Quem nunca estudou sobre ela na escola? É uma matéria fundamental em qualquer ensino fundamental/médio. Caso você não se lembre de quase nada, não espere que o filme trace um panorama histórico, explicativo. A diretora não se propõe a isso. Aqueles que conhecem o contexto político da época na França naturalmente tem uma contemplação maior, porém, em nada interfere no entendimento da trama, ter ou não tais conhecimentos.
  Sofia Coppola buscou realizar um filme divertido, pop e adverso dentre as outras produções de temas semelhantes. Utilizando da personalidade que se conhece de Maria Antonieta, personificou-a ainda mais. Uma princesa que não se adapta aos moldes da vida real, todas as excentricidades, futilidades. Nas palavras da própria protagonista, “Isso tudo é tão ridículo”. Após mudar da Austria para a França, onde se casará com o príncipe Luis XVI, é obrigada a abandonar todos os seus hábitos e se adaptar ao moldes da realeza. Agora, pressionada, ela precisa gerar um herdeiro para a coroa francesa.
  O filme é injustiçado, ao ser tão mal recebido pela crítica. A direção é ótima, mantêm um dinamismo narrativo em toda a sua duração, sempre ativa. Apresenta uma fotografia espetacular e um trabalho irretocável de figurino da artista Milena Canonero, que venceu o Oscar por este e outros filmes. A trilha sonora também se destaca, ao estar sempre presente, trazendo músicas não de época, e sim das últimas décadas. Ela tem um papel fundamental, por caminhar lado a lado com as cenas.
   Kirsten Dunst inteiramente solta e natural, sem deixar sua protagonista muito caricata ou apática. Há um controle na sua atuação muito bem conduzido. Ao deixar o contexto político em segundo plano, Sofia, para concluir sua obra, sem contudo ignorar o que estava se consumando no país (Revolução Francesa), cria memoráveis cenas finais que falam por si só, dispensando diálogos e explicações. Uma solução excelente.
  Ao final, sentimos vontade de pesquisar sobre Maria Antonieta, conhecer mais a sua história e reassistirmos ao filme, por puro prazer.

#060 - A Separação

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  A Separação foi o primeiro filme Iraniano a que lembro ter assistido. Trazendo um dos melhores dramas da atualidade, se destaca por não seguir os modelos narrativos hollywoodianos. A história, que por si só já é densa, ganha ainda mais força com a direção singular de Asghar Farhadi.
  Na trama, Simin e Nader, juntos com a filha Termeh, pretendem sair do Irã, mas o Alzheimer do pai de Nader o impede de seguir em frente. Sua mulher, inconformada com a situação, pede o divórcio, que é negado pela vara da família. Não obstante, ela resolve sair de casa, deixando o marido e a filha para trás. Nader contrata Razieh para cuidar de seu pai doente, porém além de grávida, ela trabalha escondida do marido.
  O filme já se inicia prendendo o espectador com a discussão entre o casal a respeito do divorcio. Logo já notamos o caráter humano e de crítica política a que se propõe. Nas cenas inicias ainda não temos noção da magnitude da história a que estamos assistindo. Conforme vai se desenrolando, os personagens se mostram mais profundos e o drama ganha cada vez mais intensidade. O controle com que o diretor conduz tal aprofundamento da trama é magistral.
  O caráter extremamente intimista de ‘A Separação’ nos envolve como poucos conseguem. Dispensando o uso da trilha sonora, o que tem um resultado excelente, as cenas se tornam mais cruas e humanas. O filme levanta diversas questões, como relacionamento e educação, mas a que mais se destacou para mim foram as críticas ao regime político e a influência religiosa na vida do iranianos, principalmente na das mulheres, submissas e repreendidas. Chega a ser repulsivo ver que em pleno século XXI ainda nos deparamos com tradições que ultrapassam o livre arbítrio do ser, onde a ignorância fala mais alto que o senso comum.
  O Clímax supera toda e qualquer expectativa. As grandes atuações são intensas e o espectador imerge nos personagens, compartilhando de seus dramas. A sucessão de acontecimentos nos impede de traçar um desfecho para a trama.
  Vencedor do Oscar de Melhor de Filme Estrangeiro, ‘A Separação’ merece ser visto e revisto.

#059 - Nine

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 Nine é um musical dirigido por Rob Marshall, o mesmo diretor de Chicago e Memórias de uma Gueixa, baseado em uma famosa peça homônima da Broadway. Conheço muito pouco do gênero musical no cinema, talvez por isso minha opinião positiva conflite tanto com a negativa recepção critica que o filme recebeu. Em comparação com grandes clássicos do gênero, pode e deve ser bem inferior, mas isso para mim não tira as qualidades de Nine, um musical envolvente e extremamente sedutor, do início ao fim.
 Também, com o elenco que traz, não poderia ser diferente. Grandes nomes como Daniel Day-Lewis, Penélope Cruz, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, e a ilustre presença de Fergie, uma das vocalistas do Black Eyed Peas. Os personagens a que cada um se dedica com intensidade, são muito bem definidos. Não há a duvidas a respeito de suas funções na trama.
  Nine conta a história de Guido, um famoso diretor de cinema italiano. Após anunciar que irá realizar um novo filme, intitulado Itália, a trama passa a acompanhar a jornada insegura e controversa a que Guido se comprometeu a assumir. Apresentando as personagens e sua relação com o protagonista na forma de musical, a história vai ficando mais clara e ao mesmo tempo menos singular. Utiliza de um modelo não linear para conduzir o filme.
 Sensualidade é a palavra chave de Nine. As belas atrizes alcançam o ápice da sedução com suas performances hipnóticas. Elas se entregam ao personagem e convencem. O roteiro é ótimo ao traçar o panorama de Guido de uma forma muito interessante. A direção dinâmica e mutável de Marshall consegue agregar o devido valor ao espetáculo visual. Com músicas envolventes e bem delineadas tanto na duração quanto na letra, a narrativa vai sendo desenvolvida sem um modelo padrão, o que gera um resultado excelente.

#058 - A Lista de Schindler

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  Considerado por muitos o melhor filme de Steven Spielberg, Lista de Schindler realmente é espetacular, uma verdadeira obra prima indispensável. Foi lançado em 1993, na mesma época em que o diretor lançava simultaneamente o primeiro filme da série Jurrasic Park.
  Com um elenco excepcional, como Liam Neeson, Ralph Fiennes e Ben Kingsley , a história é baseada em fatos reais e se passa em meio ao holocausto do período do nazismo. Retrata de forma muito realística a tensão e barbaridade vivida pelos judeus na época, assim como a arrogância e ignorância daqueles que seguiam, impulsionavam e comandavam tal regime. O filme mostra os dois lados da moeda, deixando claro o tamanho do contraste.
  Spielberg optou por deixar o filme em preto e branco, o que carrega consigo um valor simbólico tanto histórico quanto narrativo de grande força, tornando-o ainda mais chocante. Porém, em uma determinada cena, mais para o final, o diretor escolheu deixar o vestido de uma única criança, que corria perdida, com cor, em vermelho. O resultado foi uma das cenas mais bonitas a que eu já vi no cinema. Bonito é uma palavra que não se encaixa muito bem devido ao contexto, mas a uso no sentido simbólico, de um valor poético imensurável.
  A produção é enorme e detalhista, o que vindo de Spielberg não é nenhuma surpresa. O filme surpreende pela emocionante história e a forma como é contada. Ele perpassar por todos os fatores históricos importantes, sem deixar nenhum de lado, ou se prender exclusivamente a um. Choca pelas barbaridades a que a história esta acometida, mas sabe conduzir tais cenas.
  Lista de Schindler é um retrato histórico e um marco cinematográfico indispensável. Spielberg que domina a linguagem cinematográfica soube usar o melhor que a sétima arte nos proporciona para traça um panorama da época de forma excepcional. É um filme obrigatório.

#057 - Festim Diabólico

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  Festim Diabólico (Robe, numa tradução literal: A Corda) foi o primeiro filme com cor de Alfred Hitchcock, de 1948. Todas as uma hora e vinte minutos de projeção se passam dentro de um apartamento, com exceção do crédito inicial, filmado na rua. Um dos grandes destaques técnicos do filme é a quantidade mínima de planos ininterruptos de filmagem (plano sequência). Visualizamos apenas três, mas ele apresenta cerca de nove no total. Porém com a montagem realizada em momentos estratégicos, isso não nos fica perceptível.
  Numa explicação mais leiga, um plano sequência é tudo o que uma câmera filma do momento em que se apertou o botão ‘Rec’ até que se corte. No caso de Festim Diabólico, temos a sensação de assistirmos a mais de uma hora de filmagem ininterrupta. Ou seja, como se o ‘Rec’ tivesse sido apertado no início da filmagem e todas as ações dos personagens aconteceram sem cortes, como em um teatro, sendo que a câmera transita pelo apartamento, focando o que deseja retratar. É uma experiência muito interessante e que conseguiu ser bem eficaz.
  A trama é protagonizada por dois amigos, que matam um terceiro enforcado (dai o nome original do filme) dentro deste apartamento, e o guardam numa grande caixa de livros que fica na sala. Tendo sido tudo planejado para ocorrer antes de uma festa no próprio local, numa grande ousadia de um dos assassinos, transferem os alimentos da sala de jantar para esta, e os colocam em cima da caixa. Agora eles têm a missão de realizar a festa com a maior naturalidade possível.
 Traz diálogos afiados e superinteressantes. Confronta-se os assassinos e os convidados desconfiados, principalmente o Rupert Cadell, na grande atuação de James Stewart, que nos proporciona grandes momentos de tensão. Assim como também a notável diferença de reação à situação entre os dois anfitriões. O filme é uma adaptação de uma peça de teatro, que por sua vez é baseada em um acontecimento real. Vale muito apena dar uma conferida nesse brilhante suspense de Hitchcock. 



#056 - Os Descendentes

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   Protagonizado por George Clooney, ‘Os Descendentes’ tem direção de Alexander Payne, e foi baseado no livro homônimo escrito por Kaui Hart Hemmings. Passando-se no Hawaii, a narração inicial do próprio personagem de Clooney, Matt King, já mostra se tratar de um drama bem humano.
  Matt King é um pai de família, rico e dono de grandes terrenos na região, que precisa encarar duas situações adversas, o fato de sua mulher estar em coma no hospital, sentindo-se culpado pela falta de presença, e ter que decidir o que fazer com o terreno. Mesmo sendo um patrimônio familiar, está sobre sua responsabilidade e decisão. Aliado a isso, ainda descobre que era traído na época do acidente.
  O filme traz um pouco de humor buscando um equilíbrio emocional, mas isso foi pra mim a grande decepção, pois não convence e soa artificial. A história não prende muito, mesmo tendo potencial para isso. Os poucos ápices se perdem em meio as situações posteriores. A solução não seria realizar um filme extremamente dramático, uma vez que o contexto permite isso, pois ai teríamos apenas mais um do gênero. Mas se fosse melhor esquematizado e retratado, o resultado seria mais satisfatório e menos insosso.
  George Clooney tem sim uma grande atuação, mas nada que justifique sua indicação ao Oscar. Temos também o personagem de Nick Krause, Sid, que chega a ser irritante. Naturalmente que sua função justamente é essa, mas ele solta alguns absurdos, tentando ser um adolescente do tipo ‘to nem ai pra nada’, que também fica artificial, assim como a reação das pessoas às suas atitudes. Já as duas filhas de Matt se saem muito bem.
  Os Descendentes é um bom filme, mas que tinha tudo para ser muito mais que isso.


#055 - O Lorax - Em Busca da Trúfula Perdida

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  Lorax é mais uma das adaptações cinematográficas que as histórias de Dr. Seuss ganharam, sempre com personagens cativantes e uma historia simples e encantadora. Tendo sido realizado pelos mesmos criadores de ‘Meu Malvado Favorito’, O Lorax segue uma linha bem semelhante de animação infantil com personagens bem característicos e semelhantes.
  Vivendo em um vilarejo aonde tudo é de plástico e vende-se ar engarrafado, Ted é um menino que vai em busca de uma árvore real (já que as da cidade são artificiais), tentando agradar a menina dos seus sonhos. Com a ajuda da avó, chega ao território de Lorax, onde Once-ler lhe conta como através de sua ambição, ele erradicou toda a vida vegetal da região.
  A premissa e mensagem deste filme é muito bacana, e pretende transmitir um valor ideológico admirável e necessário nos dias de hoje. Trazendo ótimas críticas e criando valores de uma maneira infantil, o ideal é transmitido com clareza. Os personagens envolventes prendem o espectador com facilidade, pura e simplesmente por suas características, mais do que pela história em si. A explosão de cores na tela é constante e diria até exagerada. O humor é bem agradável e natural.
  O problema deste filme está em se prender ao universo infantil, deixando de lado aquilo que poderia se tornar uma grande animação para o público em geral. Não que só agrade crianças, pelo contrário, mas o excesso de sutileza faz o enredo perder um pouco da força. Essa tentativa de se fazer coisas sempre ‘fofas’ o prejudica também.
  Não sou muito fã de musical, mas admito que o resultado deste foi bem satisfatório, apesar de que naturalmente se dispensassem esse modelo, teríamos um filme mais agradável, pois por mais que as música até que sejam muito boas, e viciantes, não acrescentam muito a história, e são dispensáveis.
  O Lorax comete a mesma falha do ótimo ‘Meu Malvado Favorito’, ao limitar seu público alvo e perder um pouco do grande potencial que seus cativantes personagens tem. Eles são naturalmente interessantes, do tipo que todos querem ter um em casa, mas perto do que poderiam se tornar, acabam fracos. O contexto faz lembrar a excelente animação Wall-E.


#054 - Fúria de Titãs 2

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   Após o primeiro Fúria de Titãs lançado em 2010, com uma negativa recepção crítica, a continuação voltou aos cinemas este mês. A espera não era muito aclamada e no seu final de semana de estreia, em 3D, teve uma bilheteria menor do que Jogos Vorazes (2D) que já estava em sua segunda semana. A direção mudou, a cargo de Jonathan Liebesman, e entre os roteiristas, permaneceram três. Talvez o problema esteja justamente ai, por não terem renovado estes profissionais, já que o mediano roteiro é a grande falha do filme.
  Hades (Ralph Fiennes) e Ares (Édgar Ramírez) se uniram para capturar Zeus, e oferecer seus poderes ao Cronos, e assim o libertá-lo do Tártaro. A medida que Zeus vai perdendo os seus, os titãs vão se tornando mais fortes e poderosos. Seu filho, Perseu (Sam Worthington), precisa se unir a rainha Andromeda para invadir o submundo e capturá-lo, antes que os Titãs se libertem e destruam o mundo.
  De uma forma geral, Fúria de Titãs se sai bem melhor que o primeiro, porém nada muito superior. O roteiro é muito limitado, uma vez que estamos falando de Mitologia, algo tão vasto e passível de inúmeras e complexas explorações. Já no filme, ocorre um seguimento linear de ação, com um rígido início, meio e fim, deixando de lado tantas vertentes laterais que dariam mais dinamismo e grandiosidade para aquilo que defendiam ser o ‘apocalipse’ do mundo, pelos Titãs.
  Outra coisa que decepciona e muito é essa pregação irrefreada de que o mundo está submisso a uma destruição eminente. Constrói-se um áurea muito boa, mas que é totalmente desperdiçada no clímax, quando tudo passa tão rápido e com um impacto mais visual do que físico. As pessoas querem ver brigas, o herói se sacrificando até quase a morte, destruição. Não que isso não ocorra, mas perto do que se pregou, foi irrisório e irreal. Espera-se o filme inteiro a isso, e quando ocorre e logo acaba, você pensa: mas já? Será que a qualquer momento eles vão tirar uma carta da manga? Mas infelizmente não.
  Como forma de entretenimento, é muito eficaz. Os efeitos são excelentes e hipnóticos. Mas como um filme de mitologia, principalmente para os fãs desse magnífico universo, deixa e muito a desejar.


#053 - Sherlock Holmes - O Jogo das Sombras

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   Com um roteiro extremamente mais complexo, chegando a ser confuso pelo excesso de acontecimentos, Sherlock Holmes volta a se aventurar com Watson em mais uma investigação, na continuação dirigida novamente por Guy Ritchie. Desta vez os cenários são ainda mais encantadores: Inglaterra, França, Alemanha e Suiça, no contexto do final do século XIX.
  Em ‘O Jogo das Sombras’ Sherlock ganha um rival à altura, intelectualmente, o professor Moriarty (Jared Harris). O parceiro de Sherlock, o médico John Watson, está prestes a se casar e não quer mais se envolver nas aventuras de seu amigo. Com o pretexto de uma despedida de solteiro, Sherlock o envolve involuntariamente em suas tramas e a partir daí é um caminho sem volta.
 Filmes que envolvem o contexto da tensão da eminência de uma Guerra Mundial tem naturalmente tendência a serem bons, mas Sherlock Holmes 2 não se vale só disso. A história é bem complexa e perpassa por diversos meios até se chegar a essa conclusão. Na verdade, só se sabe dos objetivos do vilão mais para o final. Toda a construção inicial é uma grande aventura, disparadamente mais ativa que o primeiro filme. Este também traz um humor mais hilário.
  Uma das coisas que mais me atrai nessa série são os diálogos inteligentes e singulares que se desenvolvem entre os personagens. Os que ocorrem no final deste então são brilhantes. Outro fator é como essa aventura nos atrai para dentro do filme e nos faz também buscarmos respostas e soluções. Claro, também, que o espetáculo visual chega a ser hipnotizante, e a direção de arte é espetacular. O filme é tudo, menos sutil e minimalista. Para aqueles que se sentem atraídos pelo estilo de Zack Snyder, gostar de Sherlock Holmes é inevitável.

#052 - Sherlock Holmes

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  Nas mãos do diretor Guy Ritchie, baseado tanto nos tradicionais livros de Sir Arthur Conan Doyle, como em HQs, Sherlock Holmes ganhou mais ação, e principalmente na responsabilidade de Robert Downey Jr., se tornou um personagem caricato, divertido e ainda mais genial. Num incrível cenário da cidade de Londres no final do século XIX, a edição e a cenografia do filme encantam, com suas peculiaridades e beleza artística. A bela fotografia acinzentada e contrastante ajuda nessa representação.
  Na brilhante atuação de Robert Downey Jr., vencedora do Globo de Ouro de 2010, o lendário detetive Sherlock Holmes é conhecido pelo uso da lógica e seus conhecimentos químicos e científicos. Junto com seu parceiro, o Dr. John Watson (Jude Law), prendem Lorde Blackwood, famoso pelo uso de magias negras, condenando-o a forca. Porém, o mistério começa quando Blackwood é visto saindo do seu tumulo. Em meio às investigações, conhecemos Irene Adler (Rachel McAdams), uma experiente golpista por quem Holmes tem uma atração.
  Não estranhe se você notar inúmeras relações com o universo de Jack Sparrow. Downey Jr. tem nesse papel um perfil de atuação marcante e estilizado, assim como Jack. A função de Irene é correspondente a participação de Penélope Cruz. Além disso, a excelente trilha sonora é conduzida pelos mesmos mestres responsáveis por ‘Piratas do Caribe’, Hans Zimmer e Lorne Balfe.
  As cenas em câmera lenta aumentam o impacto visual, e fazem lembrar Zack Snyder (300, Sucker Punch), amante dessa técnica. Os efeitos visuais são bem desenvolvidos, e caminham em concordância com o roteiro, sem ultrapassá-lo, o que é raro atualmente, diante de diversas produções que se prendem ao visual. Rachel McAdams enfim se desprendeu de seus personagens melosos e românticos (nos quais ela tem sim um ótimo desempenho, porém sempre presa aos mesmos). Entrou, sem derrapadas, direto para a minha lista de favoritos.



#051 - Tiranossauro

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  Pra começar, é bom falar que este filme, apesar do nome, nada tem haver com dinossauros. A explicação dessa escolha é dada em certo momento e eu achei muito interessante a ‘metáfora’. Tiranossauro é um drama humano dos mais fortes, que ira te deixar sem reação, tamanha a realidade e crueza com que é retratado.
  Duas pessoas, duas histórias paralelas que em algum momento se cruzam. Joseph, um homem solitário que perdeu a mulher, e frequenta bares todos os dias. Constantemente desconta no mundo a sua raiva interior. Hannah, a religiosa e dona de um brechó, que tenta disfarçar a tristeza e amargura da relação que tem como seu marido, que a trata de forma extremamente grosseira e não afetuosa.
  Logo na cena inicial, o filme já choca e deixa bem claro a força da história a que iremos assistir. Ele busca ser o mais realístico possível, com uma crueza que o torna ainda mais tenso. Ambientado numa fotografia carregada, vamos desvendando a personalidade dos personagens, e a cada passo ele se torna mais dramático e nos desprendemos dos estereótipos criados inicialmente a respeito de cada um. Com a aproximação entre os dois, tudo vai ficando mais claro e ao mesmo tempo mais sujo quando verdades vão sendo expostas.
  Com atuações dignas de premiação, é inevitável após o recente ‘Precisamos Falar sobre o Kelvin’, não pensar como Tilda Swinton se encaixaria perfeitamente bem neste papel (não desmerecendo a Olivia Colman, que foi sensacional). Tiranossauro é um drama ressonante na cabeça de quem assiste, e tão cedo não será esquecido.

 

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